quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Nasce a Umbanda

Andei pensando e tenho mil coisas pra colocar aqui, mas acho que não posso de deixar de contar a historia da umbanda antes de qualquer coisa.
Não tem como falar da Umbanda sem lembrar de Zélio Fernandino de Morais.

Zélio nasceu no dia 10 de Abril de 1891, no município de São Gonçalo-RJ. Aos 17 anos quando se preparava para servir a Marinha do Brasil, aconteceu algo curioso: Mudou o tom de voz, falando manso e com sotaque diferente, parecendo um senhor de bastante idade. No incio a família achou que era algum distúrbio mental chegando a encaminha-lo ao seu tio, que era medico e diretor do Hospício de Vargem.
Após algum tempo de observação não foi encontrado nada então o seu tio sugeriu a família que o levasse a um padre para exorciza-lo, pois desconfiava que ele estava possuído por um demônio. E assim foi feito, procuraram um padre e após fazer o ritual não conseguiram nenhum efeito.
Um tempo depois Zélio foi acometido por uma estranha paralisia, a qual os médicos não conseguia encontrar a cura, e passado algum tempo, Zélio ergueu-se do seu leito e disse:"amanhã estarei curado" e assim foi.
Após esse episodio sua mãe D. Leonor de Moraes, levou Zélio a uma curandeira conhecida da região, chamada  D. Cândida, que incorporava o espírito de um preto velho que se chamava Tio Antônio.
O preto velho disse após suas rezas que o rapaz possuía a "tal" mediunidade e deveria trabalhar com a caridade.
No dia 15 de novembro de 1908, Zélio foi levado a federação Espírita de Niterói. Ao chegar foi convidado por José de Souza, dirigente da instituição, a sentar à mesa. Logo em seguida, contrariando as normas da casa, Zélio levantou-se e disse que ali estava faltando uma flor. Foi até o jardim e trouxe uma rosa branca e colocou no centro da mesa.
Quando iniciou uma pequena confusão, Zélio incorporou um espirito e junto com eles vários médiuns que ali estavam incorporaram espíritos de caboclos e pretos velhos. Advertidos pelo dirigente, a entidade incorporada no rapaz perguntou:
" Porque repelem a presença dos citados espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens? Seria por causa de suas origens sociais e da cor?"
quando um vidente viu a luz que o espírito possuía perguntou:
"Por que o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? Por que fala desde modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e sua veste branca reflete uma aure de luz? E qual o seu nome irmão?"
E ele responde:
"Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho,para dar início a um culto em que estes pretos e índios poderão dar sua mensagem e,assim,cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou,será uma religião que falará aos humildes,simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome que seja este: CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, porque não haverá caminhos fechados para mim."
O vidente ainda pergunta:
"julga irmão que alguém irá assistir o seu culto?"
Novamente ele responde:
"Colocarei uma condessa em cada colina que atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei."
depois de algum tempo todos ficaram sabendo que o tal padre jesuíta, chamava-se Gabriel Malagrida.
No dia 16 de Novembro de 1908, na rua Floriano Peixoto,30.São Gonçalo-RJ, as 20:00 horas, estavam presentes os membros da federação Espírita, parentes, amigos e vizinhos e do lado de fora uma multidão de desconhecidos.
quando o Caboclo das  Sete Encruzilhadas chegou iniciou a sessão dizendo:
"Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido escravos e que desencarnaram não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. a prática da caridade no sentido do amor fraterno será a característica principal deste culto, que tem base no evangelho de Jesus e como mestre Supremo Cristo." 
Após dar as normas da casa ele disse que estava nascendo uma nova religião e que iria se chamar UMBANDA. a casa que tinha acabado de ser fundada iria se chamar Tenta Espírita Nossa Senhora da Piedade e o Caboclo afirmou ainda:
"Assim como Maria acolhe em seus braços o filho, a tenda acolherá aos que a ela recorrerem as horas de aflição; todas as entidades serão ouvidas, e nós aprenderemos com aqueles que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai."
Neste mesmo dia Zélio incorporou um preto velho chamado Pai Antônio (aquele que foi confundido com loucura !!), com palavras de sabedoria e humildade e com timidez aparente, sentou-se num canto e não quis se juntar aos outros na mesa, dizendo:
"Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá di nêgo."
continuou a dar suas palavras até que um dos presentes perguntou se ele sentia falta de alguma coisa da terra e ele respondeu:
"Minha caximba,Nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda moreque buscá."
Aparecendo assim o primeiro elemento de trabalho da umbanda. E foi Pai Antônio o primeiro a solicitar uma guia.
Após algum tempo manifestou-se um espirito chamado de Orixá Malé, que era responsável por desmanchar trabalhos de baixa magia.

Não era permitido o sacrifício de animais, não usavam atabaques(e não usam até hoje na Tenda). As guias usadas eram apenas as determinadas pelas as entidades que se manisfestavam, a preparação dos médiuns era feitas através de banhos de ervas e do ritual de amaci, isto é, a lavagem da cabeça onde os filhos de umbanda fazem a ligação com a vibração dos seus guias.








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